sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O descalabro no Maranhão tem nome e sobrenome: José Sarney

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O descalabro no Maranhão tem nome e sobrenome: José Sarney.
 
 
As cenas de decapitação de presos, a morte da menina Ana Clara Sousa num ônibus incendiado por bandidos, as desculpas da governadora Roseana Sarney — são símbolos de uma dinastia ruinosa e que precisa terminar.
 
O legado de 50 anos mandando no estado onde 40% das pessoas vivem no campo é catastrófico: se o Brasil tem 28% de trabalhadores sem carteira assinada, o índice maranhense supera os 50%.
 
Dos 15 municípios brasileiros com as menores rendas, segundo o IBGE, dez estão lá. Apenas 6% da população estão em cursos de graduação, mestrado e doutorado.
 
Tem a menor expectativa média de vida de homens e mulheres: 68,6 anos, cinco a menos que a média nacional. Perde só para Alagoas em matéria de mortalidade infantil. Em cada 1000 crianças que nascem, morrem 29 com menos de 1 ano.
 
O centro histórico de São Luís, com seus azulejos, já foi uma pérola. Hoje, jogado às traças, é melancólico. Menos para Sarney, cuja “fundação” adquiriu ilegalmente o Convento das Mercês, fundado em 1654 pelo padre Antônio Vieira. Como um faraó, ele anunciou que quer ser enterrado lá.
 
Seu culto à personalidade — estendido a todos os parentes — se manifesta batizando todos os logradouros públicos possíveis. O nome Sarney está em 161 escolas, no interior e na capital.
 
Há maternidades Marly Sarney (mulher dele), o Fórum Desembargador Sarney Costa, a Ponte José Sarney, a Rodoviária Kiola Sarney (mãe dele), a Avenida José Sarney, o Tribunal de Contas Roseana Sarney e o Fórum Trabalhista José Sarney.
 
Em 1966, a pedido de Sarney, Glauber Rocha filmou sua posse para um documentário. Enquanto ele faz um discurso vazio, oportunista e calhorda, (“Vamos acabar com a corrupção! Nós não queremos a fome, a miséria, o analfabetismo!”) a câmera mostra a realidade: casas caindo aos pedaços, hospitais imundos, esgoto nas ruas, gente morrendo de fome e de tuberculose. Sarney fez uma profecia em que a maldição era ele mesmo.
 
Sarney vinha como esperança para acabar com o vitorinismo — o reinado de Victorino de Brito Freire, que durava desde o fim do Estado Novo, em 1945. Seu pai era promotor público (o sobrenome, aliás, foi tirado de um almanaque de 1901. O avô, José Adriano da Costa, gostou da história de um menino de 12 anos que sabia a Bíblia de cor. O garoto se chamava Sarney).
 
Saía um coronel e entrava outro. O que sua família faz no Maranhão há tempos é uma invasão de gafanhotos. Aos 83 anos, José Sarney é da estirpe de políticos que só larga o poder morto. Em 1990, viu que não se elegeria no Maranhão e que no Amapá havia três vagas para o Senado. Saltou lá de para-quedas, para ser reeleito em 1998 e 2006.
 
Em 2005, disse que esperava que o convento onde descansará seus ossos se tornasse, no futuro, “ponto de peregrinação”. Pode ser. Mas o povo vai urinar em seu túmulo.

3 comentários:

Unknown disse...

Esse a e é o rei dos ladroes, por mim ele não será tam cedo de novo Senador do nosso estado

Unknown disse...

Temos que fazer uma campanha ''fora Sarney'' porque está complicado do jeito que está!

Unknown disse...

É uma vergonha que o Sr Sarney fez ao nosso estado