sexta-feira, 4 de novembro de 2011

BR-156: governador Camilo Capiberibe dá início à 3ª etapa em Cassiporé

A distância entre o Amapá e a Europa diminui cada vez mais. O 3º lote dos serviços de pavimentação do trecho norte da BR-156 iniciaram oficialmente nesta sexta-feira, 4, no distrito de Cassiporé, em Oiapoque. O governador Camilo Capiberibe anunciou o andamento da obra, que vai do rio Cassiporé até a sede de Oiapoque.

O asfaltamento da BR é a principal ligação entre o Amapá e a Europa e teve a obra retomada este ano depois do governo federal, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), ter a garantia que as obras seriam retomadas com responsabilidade.

Com aproximadamente 600 km de Macapá até Oiapoque, em 1999 a BR estava pavimentada até Tracajatuba, quando o atual senador João Alberto Capiberibe continuou chegando ao município de Tartarugalzinho, totalizando 63 km. Nos últimos oito anos a estrada foi asfaltada até Calçoene e teve a obra paralisada por diversos motivos, o que causou a descrédito do governo federal quanto ao Amapá.

Entre os principais problemas, a falta de cumprimento do acordo com os povos indígena moradores de aldeias próximas às margens da BR. Em julho deste ano o projeto foi retomado pelo governo do Estado, com o apoio da bancada federal junto ao DNIT, órgão do Ministério dos Transportes.

Dividido em três lotes, o projeto foi reativado com redução dos custos. O primeiro lote, que está em execução, compreende o trecho de 56 km entre Calçoene e Vila Carnot. Este serviço está custando R$ 74,7 milhões. Neste trecho está sendo feita a terraplenagem e no trevo que dá acesso ao distrito de Lourenço o solo começa a receber a primeira camada de pinche.

A segunda etapa, que vai de Carnot até Cassiporé, deveria ter sido iniciada também nesta sexta-feira. O governo aguarda uma decisão da empresa responsável, CR Almeida, a mesma que venceu a concorrência do primeiro lote, que condicionou os serviços deste lote à quitação de uma dívida deixada pela gestão anterior, que não cumpriu o pagamento de R$ 30 milhões da obra da ponte do rio Vila Nova, no município de Mazagão.

Este segundo lote vai custar R$ 105 milhões e percorre 54 km. Na próxima semana, o governo terá uma resposta da empresa sobre a proposta de parcelamento que foi feita. A terceira etapa, que inicia agora, segue do rio Cassiporé até Oiapoque, tem 56 km, e o valor de R$ 85,7 milhões.

Dependendo do clima amazônico, a intenção é entregar toda a BR asfaltada, sinalizada e com as pontes terminadas até dezembro de 2012. Para o governador Camilo Capiberibe, o esforço coletivo está valendo a pena pelos benefícios que a BR trará para todo o Estado.

"Estamos cumprindo tudo o que assumimos, tanto com o governo federal como com os povos indígenas e todos os amapaenses. Está sendo uma conquista, a base de muito trabalho e dedicação de todos desde que assumimos o Estado", disse o governador.

Povos indígenas
Esse era um dos maiores entraves para o andamento da obra. São nove aldeias com cerca de 50 a 100 moradores cada uma, que têm que ser transferidas para dentro da mata. A responsabilidade pela construção das novas aldeias e remoção era do DNIT, porém, na época, o Estado assumiu a responsabilidade, mas não cumpriu.

Este ano, o Departamento decidiu aceitar de volta a responsabilidade com uma redução de 40% no valor. No próximo dia 12 as aldeias Piquiá e Curipi serão inauguradas com novas casas e serviços básicos de água e energia. Já as aldeias Cariá, Ahuma, Estrela, Ywauka, Samaúma, Tukai e Anawera aguardam ordem de serviço para execução dos projetos.

Emprego
As obras que foram retomadas este ano são as principais geradoras de emprego no Amapá. Somente neste terceiro lote estão sendo empregados na primeira etapa, de terraplenagem, 120 trabalhadores pela empresa JM Terraplenagem. O mestre de obras Arão Cardoso explica que a empresa segue o que foi acordado com o governo do Estado de contratar mão de obra local.

De Cassiporé foram chamados 90% dos trabalhadores. "Em dezembro vamos ter uma redução de 30% por causa das chuvas que inviabilizam a terraplenagem, mas a construção de pontes irá continuar. Assim que o tempo permitir, vamos contratar muitos mais para que em dezembro de 2012 a BR seja entregue", disse o trabalhador.

A prefeita de Calçoene, Lucimar Lima, falou que a BR e outras sete obras do Estado no município são responsáveis por um novo momento. "Além de muitos empregos e circulação de dinheiro, os impostos pagos pela CR Almeida complementam nosso orçamento", comemora a prefeita.

Futuro
A credibilidade da União no governo do Estado deu ao Amapá uma imagem que inspira confiança em Brasília. A BR e outras obras que chegaram a correr o risco de ter o recurso perdido foram reiniciadas e o Amapá hoje é um canteiro de obras. O trecho Sul da BR-156, que dá acesso ao vale do Jari, está em obras, assim como as rodovias JK e Norte/Sul.

Até dezembro, a previsão é entregar cerca de 20 obras que estavam paradas nos últimos oito anos, entre elas, o Museu Sacaca, Tancredo Neves, e muitas escolas. Santana e Oiapoque receberam recurso para asfaltamento de vias. A cacique da aldeia Ahuma, Creuza Santos, falou da importância da BR como sinônimo de desenvolvimento para o extremo Norte do Brasil.

"Vivemos da agricultura e nunca podemos vender nossos produtos em Macapá. Agora com a BR, vamos poder crescer. O governador em onze meses está colocando o Amapá no eixo", disse a cacique.
Mariléia Maciel/Secom

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