quinta-feira, 10 de maio de 2012

Escalpelamento: maior mutirão médico do Norte vai operar 62 pessoas em dois dias

O maior mutirão cirúrgico já realizado na Região Norte inicia nesta sexta-feira, 11, e tem como alvo o maior conjunto de vítimas típicas da Amazônia, os escalpelados. Durante dois dias, especialistas estarão trabalhando na recuperação plástica e da autoestima de 62 pessoas que sofreram acidentes em embarcações que deixaram seus rostos com deformidades.

"Esperamos todos estes anos por este momento. O governador Camilo Capiberibe está cumprindo o que prometeu e os médicos cuidando da nossa beleza física e nos livrando dos traumas", disse Rosinete Serrão, da Associação de Mulheres Vítimas de Escalpelamento.

A equipe é formada por 41 médicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC), um neurologista e um anestesista. Desse total, 15 profissionais são do Amapá. A ação está sendo coordenada pelas Secretarias de Estado da Saúde (Sesa) e da Inclusão e Mobilização Social (SIMS), em parceria com a Defensoria Pública da União e SBPC, e com o apoio da deputada federal Janete Capiberibe. Os procedimentos serão feitos em quatro salas cirúrgicas do Hospital São Camilo e três do Alberto Lima, em período integral, e suporte técnico de enfermeiros, instrumentadores e anestesistas.

O escalpelamento é causado por acidente em embarcações sem a proteção do motor, eixo e outras partes móveis. As mulheres são as maiores vítimas, porque o dano acontece quando o cabelo enrosca no motor. Do total de 117 vítimas ligadas à Associação de Mulheres Ribeirinhas e Vítimas de Escalpelamento da Amazônia (AMRVE), sete são homens. Destes, dois irão fazer a cirurgia nesta sexta-feira. Luiz Eduardo Gonçalves, de 33 anos, se acidentou aos três anos, e disse que a cirurgia representa o fim de um sofrimento e do preconceito.

O mutirão complementa a política de inclusão social e resgate da cidadania dessas pessoas. No Amapá, a deputada federal Janete Capiberibe foi a responsável pela Lei Federal que combate e previne o escalpelamento e obriga que os proprietários de barcos protejam o motor. As ações preventivas resultaram em 0% de acidente desde 2011.

O presidente da SBPC, Luciano Ornelas, afirmou que este benefício está sendo possível por causa da sensibilidade e responsabilidade dessa gestão e da sociedade. "O Estado acolheu os pacientes e buscou parcerias com o Governo Federal e associações médicas. Por isso, estamos aqui no Amapá", disse o especialista.

O governador Camilo Capiberibe reforçou que a parceria foi essencial para que os procedimentos sejam realizados. "As cirurgias irão mudar a vida destas pessoas. É a esperança de reparo físico e das feridas que ficam na alma. São principalmente mulheres da Amazônia de todas as idades que passam por esse sofrimento, mas não perdem a esperança. O Governo do Amapá compartilha dessa atitude que vai resgatar a sociabilidade e dignidade deles", pontuou. O Estado trabalha ainda para garantir espaço no mercado de trabalho no Amapá.

A partir desta quinta-feira, 10, os pacientes começam a passar por exames ambulatoriais e preparativos para cirurgia como consulta pré-anestésica.
Mariléia Maciel/Secom

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