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João Capiberibe repudiou decreto da Presidência da República que
extingue a Reserva Nacional do Cobre e Associados
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Sobre o decreto assinado pelo Presidente da República,
Michel Temer, que extingue a Reserva Nacional do Cobre e Associados, que tem
dois terços do seu território, no sul e sudeste do Amapá e noroeste do Pará, o
senador Capiberibe se manifestou no Plenário do Senado nesta quarta-feira (23).
“Essa revogação é um desatino. Nessa área existem nove
reservas: a Reserva do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, com 3,8
milhões de hectares; a Reserva Florestal do Amapá e do Paru; a Reserva
Biológica de Maicuru; a Estação Ecológica do Jari; a Reserva Extrativista Rio
Cajari; a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru; as Terras
Indígenas Waiãpi; e a Terra Indígena Rio Paru d´Este. A mineração nessa região
vai provocar um desastre ecológico, no Amapá não queremos isso”, afirmou
Capiberibe.
O senador destacou que esse se trata do mais grave crime
contra a Floresta Amazônica, desde 1970, ou melhor, desde a construção da
Transamazônica. “Essa decisão foi tomada sem diálogo nenhum com as comunidades
tradicionais da Região Amazônica, com as populações indígenas, rasgando a
floresta, não se tem um crime de igual grandeza”.
“Nós temos uma experiência amarga com mineração no Amapá,
porque a mineração se instala e, pouco tempo depois, se desinstala e deixa um
rastro de destruição ambiental e social, porque as pessoas não têm o que fazer
depois da exploração mineral. Lembro aqui a empresa Jari Florestal, a Jari
Celulose, a Jari Mineração, que se instalaram no Amapá nos anos 60 e que
arrastaram para o coração da floresta 100 mil pessoas. E hoje nós temos uma das
cidades mais precárias do nosso Estado, que é Laranjal do Jari, em função da
exploração mineral, em função desses projetos insensatos criados pelo Governo
Federal”, acrescentou Capiberibe.
O parlamentar finalizou dizendo que “a atitude do Presidente
Temer é de uma insensatez. Ele ignora completamente a existência de milhares de
pessoas, de indígenas que vivem ali, de populações que vivem naquela área. Está
sendo apresentado um projeto para revogar esse decreto. Espero que a Casa, com
sensatez, tome essa decisão”.
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